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Queda de avião com 152 pessoas a bordo deixa o Paquistão de luto
Fonte: RTP | Data publicação: 30/07/2010
O Governo paquistanês decretou esta quarta-feira um dia de luto nacional após a queda de um aparelho Airbus 321 da transportadora Airblue nos arredores de Islamabad. Nenhum dos 152 passageiros e tripulantes do voo ED202 sobreviveu àquele que é já considerado o mais mortífero desastre de aviação do país nos últimos 18 anos. O ministro paquistanês do Interior, Rehman Malik, fala de “uma grande tragédia”.
Eram 7h45 (2h45 em Lisboa) quando o Airbus 321 da companhia paquistanesa Airblue deixou a pista do Aeroporto de Carachi, o coração financeiro do Paquistão, e rumou a Islamabad. Por razões ainda desconhecidas, o avião começou a desviar-se do seu plano de voo na aproximação ao destino, acabando por se precipitar para uma garganta entre as colinas de Margalla, nas imediações da capital.
Para já, as autoridades de aviação civil do Paquistão evitam avançar com possíveis explicações para o desastre aéreo. Segundo Raheel Ahmed, um porta-voz da Airblue citado pela agência France Presse, as primeiras informações parecem indiciar que a "causa do acidente foi o mau tempo". Todavia, a companhia aérea, até agora sem registo de desastres com aviões de linha, ressalva que o apuramento das circunstâncias e das causas da queda do voo ED202 "cabe aos investigadores".
Entre as 152 vítimas mortais do desastre figuram dois cidadãos norte-americanos, confirmou entretanto a Embaixada dos Estados Unidos em Islamabad. As equipas de socorro precisaram de uma hora para chegar ao local da queda do avião, a partir da estrada mais próxima. E tiveram de o fazer a pé.
"Uma enorme explosão"
"Responsáveis locais ouviram uma enorme explosão em Margalla. Quando cheguei, vi uma grande bola de fumo, fogo em redor e pesados pedaços do avião que deslizavam para a base das colinas", descreveu o efectivo da polícia Haji Taj Gul, que se encontrava de serviço no momento da queda do Airbus.
Wajih-ur Rehman, habitante de um bairro encostado às colinas de Margalla, diz ter visto o avião "a voar muito baixo": "Depois ouvi um barulho enorme".
As autoridades começaram por aventar a possibilidade de haver sobreviventes. Ao início da tarde, porém, o chefe da polícia local, Bani Amin, confirmou que "ninguém sobreviveu". As equipas chamadas às colinas conseguiram recolher todos os corpos, ou que resta deles. Mahmud Jamal, director do maior hospital de Islamabad, adianta que só os testes de ADN permitirão identificar muitas das vítimas: "A maior parte dos corpos está incompleta, alguns estão carbonizados".
Avião tinha dez anos
A Airblue apressou-se a assegurar que o aparelho não apresentava "qualquer problema técnico" no momento da descolagem. E a construtora europeia Airbus já veio esclarecer que o avião estava ao serviço há uma década, sendo que o tempo de vida de um A321 está calculado em 30 a 40 anos.
O último acidente de aviação em território paquistanês ocorrera a 10 de Julho de 2006, quando um Fokker F27 da transportadora Pakistan International Airlines (PIA) se precipitou para o solo - perderam a vida 45 pessoas.
O desastre de maiores dimensões na história da aviação civil do Paquistão remonta a Setembro de 1992 - um Airbus 300 da PIA caiu na aproximação ao Aeroporto da capital do Nepal, Catmandu, arrastando 167 pessoas para a morte.
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