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Lasers são ameaça à aviação civil

26 de Abril de 2015

Lasers são ameaça à aviação civil

Os ataques com ponteiros laser contra aviões estão a crescer rapidamente no nosso país, num fenómeno que as autoridades têm muita dificuldade em controlar, não obstante o risco de acidentes graves. Há 33 casos em investigação, mas o número de ataques registados só no ano passado é dez vezes superior. Sobre a grande maioria, as polícias e o MP ainda nem sequer conseguiram elementos que permitam iniciar a investigação.

Normalmente fruto de brincadeiras, os ataques com laser são de facto um crime cuja pena pode chegar aos dez anos de cadeia. Classificado como “atentado à segurança de transporte”, a definição do crime não compreende referência específica aos laser e, por isso, há setores da aviação que entendem que deveria ser melhor tipificado no Código Penal e passar a ter essa referência.

Dados do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) dão conta de que em 2013 foram reportados 185 casos, mas em 2014 foram já 310 e só no primeiro trimestre deste ano os dados oficiais registam 43. É uma realidade que apenas pode ser lamentada pelo diretor do GPIAA, Álvaro Neves, uma vez que o organismo não pode fazer muito mais do que assinalar os casos e os locais onde ocorrem.

Álvaro Neves não tem dúvidas de que “há um potencial elevado de acidente”. E quanto ao crescimento brutal avisa que “é uma brincadeira que se está a tornar viral”.

As preocupações do dirigente da GPIAA são partilhadas pela Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA). Estes organismos reúnem-se regularmente para avaliar o problema. Os pilotos transportam diariamente centenas de pessoas e os ponteiros são uma ameaça. “O laser pode provocar cegueira momentânea. Era bom que houvesse um maior envolvimento de várias entidades. É preciso encontrar respostas”, sustenta Miguel Silveira, piloto e presidente da APPLA.

“É brincadeira que se está a tornar viral, mas há um potencial elevado de acidente”, diz Álvaro Neves

O próprio Relatório Anual de Segurança Interna de 2014 revela preocupação pelo fenómeno, registando, no item “pirataria aérea/outros crimes contra a segurança da aviação”,47 casos, mas a razão da subida é justificada com as “33 ocorrências que tiveram como ‘modus operandi’ a utilização (...) de lasers contra aeronave”. O destaque dado resulta do facto de, em 2013, terem existido apenas 11 situações e em 2012 nenhuma.

VARELA, C. (26/04/2015). Lasers são ameaça à aviação civil. Jornal de Notícias, Justiça, 17.

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